Minerais Neoformados (Novas Fases Minerais)

Os remineralizadores de solos são formados por minerais de rochas silicáticas ricas em bases. A solubilização destes insumos em solos agrícolas imita o processo natural de formação de solo, onde o mineral primário é transformado em novas fases minerais por meio do processo de intemperismo químico e biológico. O aumento da superfície específica promovida pela moagem da rocha propicia um aumento considerável da velocidade de transformação mineralógica nos solos agrícolas.

A reação fundamental do processo de remineralização é a seguinte:

Aluminossilicato (Ca, Mg, K, Na)s+H2O+H+ + Atividade biológica - Novas fases + (Si, Ca, Mg, K, Na)aq + OH-

Onde os aluminossilicatos ricos em bases presentes no remineralizador reagem com a água em condições de solos ácidos e a atividade biológica do sistema agrícola, formando novas fases, ao mesmo tempo que libera nutrientes e contribui com aumento do pH do solo (Martins et al., 2023).

A geração dos minerais neoformados depende de vários fatores ambientais e das características dos minerais presentes no remineralizador. Solos ácidos tendem a acelerar o processo de transformação, assim como a sua atividade biológica. Minerais ricos em cálcio e ou magnésio tendem a facilitar a formação de novas fases minerais.

As novas fases minerais geradas podem ser cristalinas ou de baixa cristalinidade. De qualquer forma, estas novas fases apresentam elevada superfície específica e carga superficial. Minerais cristalinos são formados a partir do intemperismo de micas, como é o caso da transformação de biotita em hidrobiotita e vermiculita (Krahl et al., 2022). A formação de minerais cristalinos promove o incremento das cargas permanentes no solo (Santos et al., 2021) e da CTC (Krahl et al., 2022). Outros minerais tendem a formar fases de baixa cristalinidade, como é o caso da transformação em solos derivados de cinzas vulcânicas. Este é o caso da maioria dos remineralizadores de solo (Finlay et al., 2020; Silva et al., 2021).

Estas superfícies de interação ativam a reestruturação das comunidades microbianas do solo, o estímulo a oferta dos exsudatos das raízes e outras fontes de carbono orgânico oferecem energia para a ativação biológica contribuindo para o biointemperismo dos minerais, aumentando a disponibilização de nutrientes e a formação de minerais secundários, em geral ricos em superfície ativa, contribuindo para a formação de microagregados e a estabilização da matéria orgânica (Lenhardt et al., 2022; Zheng et al., 2023).

O aumento da diversidade mineral também contribui para a diversificação do microbioma, amplia a oferta de microrganismos funcionais do solo a serem recrutados para as rizosferas das culturas e cria um processo que se retroalimenta com o intemperismo gradual dos minerais silicáticos (Finley et al., 2022).

Desta forma, a formação de novas fases minerais em solos a partir de remineralizadores promove a melhoria do solo, com o aumento da estabilização da matéria orgânica, incremento da CTC e da estabilização dos agregados do solo. Em consequência, aumenta a eficiência biológica de uso de nutrientes.

Referências Bibliográficas

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